Ibama investiga frigoríficos por compra de gado de áreas desmatadas ilegalmente na Amazônia

Portal da Cidade – Reportagem: Christiano Monteiro

O Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) notificou 12 frigoríficos, entre eles dois operados pela JBS, por suposto envolvimento em um esquema de aquisição de gado criado em áreas de desmatamento ilegal na Amazônia. A investigação, revelada pela Reuters nesta sexta-feira (29), aponta que os animais eram “triangulados” — transferidos para fazendas “limpas” — numa tentativa de disfarçar sua verdadeira origem.

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Multas e apreensões

De acordo com o Ibama:

Seis frigoríficos já foram multados em R$ 4 milhões por compra direta de 8.172 cabeças de gado de áreas embargadas;

Mais de 7.000 animais foram apreendidos, que estavam em cerca de 2.100 hectares de fazendas interditadas para uso comercial após desmatamento;

As penalidades somam R$ 49 milhões aplicados aos infratores, sem detalhar se recaem sobre pessoas físicas ou jurídicas.

Empresas envolvidas

Além da JBS, as companhias Frigol e Mercurio também aparecem entre as notificadas:

A Frigol afirmou que houve um erro por parte do Ibama e negou ter adquirido gado de áreas desmatadas;

Já a Mercurio disse que utiliza uma empresa terceirizada para monitorar a origem dos animais, e que bloqueia automaticamente compras de propriedades com irregularidades ambientais ou trabalhistas.

A JBS, maior produtora de carne bovina do mundo, ainda não comentou oficialmente o caso.

Histórico de operações

Essa não é a primeira ação do Ibama contra a chamada “lavagem de gado”, prática em que animais criados em áreas ilegais são transferidos para fazendas regularizadas.

Em 2024, a operação Carne Fria 2 identificou 23 frigoríficos comprando gado de áreas embargadas, aplicando multas de R$ 364 milhões;

Já em 2025, a operação Carne Fria 3 voltou a encontrar irregularidades: 16 frigoríficos foram fiscalizados, 12 notificados e mais de 7.000 animais apreendidos.

O que diz a lei

Produzir, vender ou comprar gado de áreas embargadas é considerado crime ambiental no Brasil. Além das multas, os casos são encaminhados ao Ministério Público Federal, que pode abrir processos criminais contra os responsáveis.

Impacto no mercado

O episódio reacende a pressão de consumidores e investidores por práticas mais responsáveis no setor da carne bovina. Questões de desmatamento ilegal e sustentabilidade têm peso crescente nos mercados internacionais, podendo afetar a imagem e a competitividade de frigoríficos brasileiros no exterior.

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