Caso envolve menina de 12 anos da etnia Warao e levanta debate sobre violência sexual, saúde indígena e omissão estrutural.

Uma menina indígena de apenas 12 anos, grávida de 32 semanas, morreu neste domingo (13), em Betim, após complicações gestacionais. A jovem, da etnia Warao, foi submetida a parto de emergência, mas não resistiu. O bebê sobreviveu e permanece internado.
Uma tragédia envolvendo uma criança indígena de apenas 12 anos, da etnia Warao, comoveu a cidade de Betim, na Região Metropolitana de Belo Horizonte. Grávida de 32 semanas, a menina faleceu na madrugada deste domingo (13/7), no Centro Materno-Infantil de Betim, por complicações decorrentes da gestação. O bebê nasceu prematuro por meio de parto de emergência e segue internado sob cuidados médicos intensivos.
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Segundo a direção da maternidade, a adolescente deu entrada em estado gravíssimo na sexta-feira (11). Familiares relataram que, desde a segunda-feira (7), ela vinha apresentando convulsões, mas só foi levada ao atendimento médico na quinta-feira (10), inicialmente a uma Unidade de Pronto Atendimento (UPA). Com a piora neurológica, foi transferida para o hospital, onde foi submetida ao parto e, posteriormente, a uma cirurgia na cabeça — procedimentos que, infelizmente, não evitaram sua morte.
A família revelou que a gravidez era desconhecida, tanto pela menina quanto pelos responsáveis, sendo descoberta apenas por volta do sexto mês de gestação. Até dias antes da internação, ela se alimentava normalmente e não apresentava sintomas que levantassem suspeitas. No entanto, nos últimos dias, passou a se queixar de fortes dores de cabeça e recusar alimentos.
A adolescente vivia com os pais em uma ocupação em Betim, onde residem cerca de 25 famílias da etnia Warao, refugiadas vindas da Venezuela. O grupo chegou à cidade em setembro de 2023, após percorrer outros estados brasileiros desde a saída de Boa Vista (RR).
A Prefeitura de Betim afirmou, por meio de nota oficial, que todos os protocolos médicos foram cumpridos, com acompanhamento multiprofissional e suporte psicológico à família. O velório da adolescente está previsto para esta segunda-feira (14), na própria ocupação onde ela vivia. Moradores e parentes prestaram homenagens em frente à maternidade.
O caso, embora trágico por si só, também levanta o alerta sobre abusos sexuais contra menores, especialmente em contextos de vulnerabilidade social, étnica e migratória. A gravidez de uma criança de 12 anos caracteriza crime de estupro de vulnerável, conforme o Artigo 217-A do Código Penal, independentemente de consentimento ou circunstâncias.
Ainda nesta semana, um caso semelhante foi registrado em Nova Serrana, também em Minas Gerais, onde uma menina da mesma idade descobriu a gravidez ao procurar atendimento por dores abdominais. Ambos os episódios reacendem o debate sobre o acolhimento de populações indígenas refugiadas, a efetividade das redes de proteção à infância e os mecanismos de denúncia e prevenção de violência sexual.
