Quando a seleção de futebol do Iraque se classificou para a Copa do Mundo no fim de março, Abdulla Adnan comprou ingressos para os jogos de seu país contra Noruega e França, que serão disputados nas cidades americanas de Boston e Filadélfia neste mês.
“Ir a um jogo, a um estádio, a uma multidão, torcer e ver meu time — isso é tudo para mim”, diz ele. “É um sentimento incomparável.”
Esta é apenas a segunda vez que o Iraque se classificou para a Copa do Mundo — a primeira foi em 1986.
Mas está sendo difícil conseguir um visto.
E Adnan não está sozinho. Torcedores de mais de um quarto dos países participantes da Copa do Mundo estão enfrentando proibições de viagem, restrições mais rígidas ou altas taxas de rejeição de vistos, mostra uma análise de dados de viagens feita pela BBC.

O Iraque não está na lista de proibição de viagens do governo de Donald Trump. Por isso, no caso de Adnan, o obstáculo foi inesperado.
Após o início da guerra entre EUA e Israel contra o Irã, os EUA suspenderam serviços consulares de rotina no Iraque devido a preocupações com a segurança na região. Isso significa que não há lugar no país onde Adnan e outros torcedores iraquianos possam obter vistos, já que precisam comparecer a uma entrevista presencial.
Por isso, Adnan viajou ao país vizinho, a Jordânia, para tentar obter um visto na embaixada dos EUA. Mas, quando chegou para sua entrevista, funcionários disseram que, por não ser cidadão jordaniano, aquela embaixada não poderia lhe dar um visto.
Os ingressos para o jogo e a viagem à Jordânia custaram cerca de US$ 1,8 mil (R$ 9,4 mil).
Adnan considerou solicitar o visto na Turquia, mas como o processo poderia levar até duas semanas, decidiu que não poderia ficar tanto tempo longe de casa. Ele desistiu de tentar obter o visto.
Torcedores de vários países disseram à BBC que outros obstáculos também estão causando indignação e frustração.

Uma das barreiras é a lista do governo Trump com proibições e restrições de vistos para determinados países, incluindo quatro que disputam a Copa do Mundo — Haiti, Irã, Senegal e Costa do Marfim. Isso significa que seus cidadãos estão impedidos de receber o tipo de visto de visitante que as autoridades dos EUA recomendam para torcedores.
Políticas rígidas de imigração e repressão a migrantes sem documentação foram parte central da campanha de reeleição de Trump em 2024. As autoridades dos EUA afirmam que seu sistema precisa ser rigoroso devido aos desafios enfrentados para gerenciar o enorme fluxo de pessoas que cruzam as fronteiras do país.
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REPORTAGEM: CHRISTIANO MONTEIRO